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Longevidade e Bem-Estar na Terceira Idade

É possível envelhecer com qualidade?


  O processo de envelhecimento é único e fundamenta-se na subjetividade individual de cada pessoa, sendo construído ao longo de sua vida para vivenciar essa fase. Portanto, o envelhecimento é um processo que mescla elementos individuais e coletivos, pois cada indivíduo vivencia o processo de envelhecimento de forma singular, moldado por vivências pessoais, condições de saúde e interações sociais (Silveira; Vieira, 2023).

A velhice ainda é caracterizada socialmente como algo indesejável, marcada por doenças e perdas de papéis sociais, ou seja, a velhice é associada culturalmente de forma negativa, bem como o comprometimento cognitivo, emocional e econômico (Silveira; Vieira, 2023, p. 4).

As transformações ligadas ao envelhecimento biológico são marcadas por vários fatores de composição física, psicomotora, alterações na memória, funções sensoriais, atenção e habilidade para enfrentar situações complexas, além de um aumento na vulnerabilidade a doenças, afetando assim a saúde geral (Freitas; Barbosa; Neufeld, 2016, p. 26 ).  


        Nesse contexto, a longevidade e o bem-estar na terceira idade transcendem a mera ausência de doenças, fundamentando-se em uma visão holística que integra o cuidado com o corpo e o fortalecimento da mente. Por isso, tentar promover um envelhecimento saudável exige o equilíbrio entre a manutenção da autonomia funcional, o estímulo ao protagonismo social e a ressignificação da autoimagem diante das transformações biológicas. Assim, ao fortalecer o autocuidado e os vínculos afetivos, o idoso reconstrói seu propósito de vida, transformando o tempo vivido em uma fonte de resiliência, dignidade e contínua realização pessoal.


 O Comportamento de Autocuidado


O envelhecimento biológico, conhecido como "idade biológica", refere-se ao estado de desenvolvimento/degeneração física do corpo. Isso inclui mudanças como declínio na massa muscular, força, função do coração e do sistema respiratório, além da diminuição na capacidade dos sistemas sensoriais. Esses fatores impactam diretamente a saúde e o funcionamento geral do corpo e da mente (Stuart - Hamilton, 2002, p. 22, 25, 26).

        Para a terceira idade, as necessidades básicas incluem alimentação, abrigo e saúde. Isso pode envolver acesso a uma dieta saudável, porque muitos idosos são portadores de doenças como hipertensão, diabetes, artrose, entre outras, e, por fazerem acompanhamento e cuidados médico regularmente, tendem a tomar suas medicações de forma apropriada e seguirem todas as orientações do tratamento, encontram-se muito bem e fazem tudo o que necessita sem precisar de qualquer ajuda. Assim propiciar um ambiente seguro e confortável é de extrema importância para sua saúde física e mental.

        Na terapia essas questões são trabalhadas com ativação comportamental para manter dietas saudáveis e a adesão ao tratamento médico. Foco em substituir pensamentos de "não consigo mais" por metas pequenas e alcançáveis que garantam a saúde física.  


Lidando com a Ansiedade e a Autonomia


Estudo realizado por Oliveira et al.  (2006) diz que frequentemente o idoso opta por não realizar atividades que não consegue executar com sucesso, ou seja, esse comportamento evitativo vem carregado com um medo de fracassar, acreditando que poderá falhar novamente. Essa situação acaba gerando um sentimento/emoção como o desânimo e desesperança, o que pode contribuir para sintomas de ansiedade e depressão. 

        Levando em conta os aspectos discutidos, existem também outras questões relativas à aposentadoria para alguns seja uma experiência prazerosa, indivíduos com problemas psicológicos tendem a experimentar sentimentos de inutilidade. Em alguns casos, a insatisfação com a aposentadoria pode estar ligada a um estado de autovalorização ou autodepreciação. Além disso, existem outros elementos como preocupações e problemas financeiros relacionados com o gasto com cuidados à saúde (Stuart - Hamilton, 2002, p.137-138). 

        De modo em geral,  não há dúvida de que a autonomia desafia as limitações físicas e sociais psicológicas econômicas impostas por um corpo mais vulnerável e mais cansado (Neri, 1995, p. 102). Além do mais, segurança em casa são cruciais, não somente segurança na organização de um ambiente adaptativo às suas necessidades fisiológicas, mas em segurança afetiva e amparo. As necessidades de segurança são atendidas para a maioria dos adultos que permanecem em ambientes acolhedores (Hall; 2000, p. 358).

        A abordagem das técnicas da TCC atua na ansiedade e autonomia reestruturando pensamentos de incapacidade e comportamentos de evitação, substituindo o medo do fracasso por metas graduais de sucesso. Além de reforçar a autovalorização e sugere adaptações ambientais, auxiliando idosos a recuperar o sentimento de utilidade e segurança emocional frente a vulnerabilidades. Este processo promove autonomia funcional e reduz sentimentos de desânimo e desesperança na aposentadoria.


 Isolamento social 


A interação social e o pertencimento a grupos são fundamentais para o bem-estar emocional na terceira idade. Isso pode incluir relacionamentos com familiares, amigos e a participação em comunidades ou grupos sociais.


Na velhice, com o aumento da força do elemento disfônico desespero e a contínua sensação de estagnação, ou seja, de ausência de propósito, a necessidade de vínculos sociais torna-se mais evidente. Compartilhar da vida dos filhos e netos, ensinar e deixar algo para as próximas gerações e manter relações sociais pode gerar e aumentar o envolvimento vital (Lima; Coelho, 2011, p. 6)

Em vista disso, Estudos levantados por Neri (1995) cerca de 50% têm contato semanal com familiares, mantendo uma rede de relações sociais, embora reduzida. A importância do suporte na velhice é ressaltada, mas a autonomia social e a rede de relações sociais são fundamentais (Neri, 1995, p. 101).

        Segundo Oliveira (2005), um envelhecimento bem-sucedido inclui a ampliação do sentimento de autoeficácia, a manutenção da capacidade funcional, da habilidade social bem como da qualidade de vida de maneira geral. Esses requisitos são possibilitados pela adoção de uma vida ativa, incluindo atividades rotineiras, como participação em grupos religiosos e programas de exercícios físicos. Visitação a locais que permitam lazer, distração e interação social.

        Portanto, na TCC as práticas interventivas sobre isolamento social da pessoa idosa, abrangem com o foco em identificar, reestruturar crenças de desvalorização e inutilidade que afastam o idoso do convívio. Além disso, também trabalha o fortalecimento dos vínculos familiares, ajuda no processo de ativação comportamental, reduz o sentimento de estagnação e desespero, promovendo a autoeficácia. E por meio do treinamento de habilidades sociais incentiva a pessoa idosa a participar de grupos. Dessa forma, esse processo substitui o comportamento de esquiva pela busca de propósito e pertencimento, que são fundamentais para a manutenção da capacidade funcional e da saúde emocional no envelhecimento.


Reconstruindo a Autoimagem


Segundo Maslow (1962) a pessoa que perdeu, usualmente, o seu bem-estar subjetivo, bem é visto pelo estereótipo de um ser incapaz. Consequentemente perde-se a sua vontade e o seu sentimento de autodomínio, a sua capacidade de prazer, a sua auto-estima etc. Assim sua significância como ser humano está diminuída (Maslow, 1962, p. 213).

        Por isso, a autoimagem para o idoso, não abrange somente à imagem corpórea, mas também a sua estima, o respeito e o reconhecimento. Para os idosos, isso pode significar ser valorizado por suas experiências e contribuições, sentir-se útil e manter uma imagem positiva de si mesmo. A estima envolve o respeito por si mesmo e o reconhecimento dos outros. 


O velho é uma pessoa que tem uma história, que acumulou experiência de vida e adquire o maior tranquilidade e profundidade (Zimerman, 2007, p. 29). 

Assim, em um “pacote” completo para a velhice deveria incluir-se a ideia de que os idosos contribuíram muito ao longo das suas vidas, tanto no cuidado com a casa, criação dos filhos e sustento ao lar. E conseguinte ainda continuam a produzir de diferentes maneiras e agora merecem mais atenção e respeito (Zimerman, 2007, p. 27). Dessa maneira, o reconhecimento às suas contribuições, colabora para a autoestima, cuidados de si mesmo, promovendo sua independência e preservando sua liberdade na velhice. 

        Em constante, a autoestima e autorrealização na velhice é associada à independência, em termos tais como agência, liberdade, autonomia, autoconfiança, individuação e autocontrole. Os especialistas costumam relacionar a competência em todos os estágios da vida como sinais de independência (Neri, 1995, 73-74).

        A vista disso, na abordagem da TCC trabalhamos a valorização das experiências acumuladas e a história de vida do idoso, ou seja tem como premissa reduzir o estereótipo de incapacidade, reforçando a vontade, o autodomínio e a independência. 


Propósito e Metas de Vida


Na terceira idade, isso pode incluir a busca por hobbies, educação contínua, voluntariado ou qualquer atividade que promova um senso de propósito e realização. 

        Estudos realizados por Moura (2012) identificou que idosos que recebem convites para participar de atividades como leitura, viagens, teatro, práticas de esportes, festas e etc., tem uma autoestima elevada, e sentem-se pertencentes, lembrados e valorizados. Além disso, criam autonomia, liberdade e aumentam a motivação para adotar estilos de vida mais saudáveis (Moura, 2012, p.122).

        Almeida (2016) diz que a interação social é um fator de proteção para o idoso, onde a pessoa idosa consegue ter um envelhecimento ativo e saudável. Por isso, é importante que o idoso tenha uma vida social ativa, inseri-los na participação de grupos, comunidade religiosa, centro de convivências e etc, ajuda no bem-estar mental. 

        Em vista disso, os objetivos na TCC consistem em  identificar valores pessoais, estabelecer planos de ação para novos hobbies ou educação contínua, ajudar a reestruturar crenças sobre o envelhecimento, o que  incentiva o engajamento em atividades com propósito e interação social de qualidade. Ademais, a abordagem também foca na ativação comportamental o que ajuda a fortalecer a autoestima e a autonomia, combatendo o isolamento e promovendo o bem-estar mental. Sendo assim, busca alinhar comportamentos saudáveis - autonomia -  motivação em adotar estilos de vida que trazem sentido à existência, ou seja,  transforma a rotina em um fator de proteção para a saúde do idoso.



CONCLUSÃO

O modo como cada pessoa percebe e se ajusta às alterações físicas, cognitivas e sociais associadas ao envelhecimento é subjetiva e individual. A visão do envelhecimento não se inicia apenas na terceira idade, mas é formada ao longo de toda a existência de ser no mundo, e também são moldadas por expectativas sociais (Silveira; Vieira, 2023).

        Portanto, as necessidades da população idosa mudam ao longo da vida. E essas mudanças é uma condição intrínseca que tem um grande impacto e significado na forma de vivenciar a fase da velhice. Aliás, longe de ser apenas a ausência de doenças, essa fase é marcada pela necessidade de integrar cuidados físicos, saúde mental e interações sociais significativas.

        Dessa forma, o envelhecer aborda questões relevantes sobre a liberdade, autonomia, participação ativa, desafios e situações particulares enfrentadas pelas pessoas idosas. Considerando esse cenário, torna-se imprescindível monitorar as mudanças comportamentais no idoso, das quais podem indicar uma batalha silenciosa e exigem atenção redobrada. 

      Em suma, para garantir longevidade com bem-estar na terceira idade, o foco deve estar na combinação de hábitos preventivos e na manutenção da autonomia física e mental. 

        Nesse sentido, a abordagem da  terapia TCC oferece ferramentas para que o idoso deixe de ser um espectador passivo e passe a ser o protagonista da sua própria história, alcançando uma vida digna e satisfatória.  


REFERENCIAL


ALMEIDA, Mariana. A importância das relações sociais na velhice. Art.: casa de repouso em família: São Paulo, 2016.  Disponível: http://www.abgeronto.blogspot.com. Acesso: 30 Out 2024. 

CAVALCANTI, T. M. et al. Hierarquia das necessidades de Maslow: Validação de um Instrumento. Psicologia: Ciência e Profissão, 2019.  

FREITAS, Eduarda; BARBOSA, Altemir; NEUFELD, Carmem. Terapias cognitivo-comportamentais com idosos. Eduarda Rezende Freitas, Altemir José Gonçalves Barbosa e Carmem Beatriz Neufeld. – Novo Hamburgo : Sinopsys, 2016.

HALL, Calvin S. Teoria da personalidade / Calvin S. Hall, Gardner Lindzey e John. Campbell, trad. Maria Adriana Verissimo Veronese. - $ed. – Porto Alegre: Artmed, 2000. 

LIMA, Priscilla M. R. de; COELHO, Vera Lúcia Decnop. A Arte de Envelhecer: Um Estudo Exploratório Sobre a História de Vida e o Envelhecimento/. [online] Art.: Psicologia Ciência E Profissão, 2011, 31 (1), 4-19. Disponível: https://www.scielo.br/j/pcp/a/4FVqZ9xgvQJGrDnVLsx4yTJ/?format=pdf. Acesso 30 Out 2024.

MASLOW, Abraham H. Introdução à Psicologia do Ser / Abraham H. Maslow; Tradutor: Álvaro Cabral. - Ed: 2. - Ed: Eldorado, Rio de Janeiro, 1962, p. 279. 

MOURA, Giselle Al. Experiências De Lazer De Idosos Independentes Institucionalizados. [Manuscrito] / Alves Giselle Alves de Moura – Minas gerais:  Repositório Institucional da UFMG, 2012. Disponível: oai:repositorio.ufmg.br:1843/43035. Acesso: 30 Out. 2024. 

NERI, Anita L. Psicologia do envelhecimento: temas selecionados na perspectiva de curso de vida/ Anita Liberalesso  Neri ( org). - Campinas, SP: Papirus, 1995.

OLIVEIRA, K. L. DE . et al.. Relação entre ansiedade, depressão e desesperança entre grupos de idosos. Psicologia em Estudo, v. 11, n. 2, p. 351–359, maio de 2006.

SILVEIRA, A. da S. et al. O envelhecimento e a subjetividade: práticas socioculturais na velhice. RELACult, 2023.  

STUART-HAMILTON, Ian. A psicologia do envelhecimento: uma introdução. Porto Alegre: Artmed, 2002.  

ZIMERMAN, Guite I. Velhice: aspectos biopsicossociais. Porto Alegre: Artmed, 2007.


 
 
 

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